Hoje sonhei com você.

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Eu sonhei com você. E foi, infelizmente, incrivelmente bom. Parecia ali que no final ia ficar tudo bem. Que tudo poderia voltar a ser como foi a tanto tempo atrás.
Nele eu tinha um medo enorme, de fazer qualquer coisa que pudesse estragar essa segunda chance, eu não acreditava… Sabe?
Ali eu tentava te proteger de mim mesma, tomando cuidado com cada palavra e cada movimento.

Acho que foi uma projeção do meu desejo mais guardado. Um aviso e lição de mim mesma para fazer tudo que não fiz com você quando tive a chance. Eu errei, e errei feio, cortei fundo e sem pensar. Mas a verdade é que eu realmente não tinha objetivo de te machucar.

Dizer isso nada adianta, resolve ou conserta, eu sei, mas eu precisava falar para alguém, e na hora pensei em você.

Prefiro acreditar que foi tudo projeção de universo paralelo em que lá, pelo menos, ficaremos bem.

-Camila Fernandes

 

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60 anos com você

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Eles caminhavam de mãos dadas, um se apoiava no outro, e seguiam a passos lentos, sem se preocupar com o tempo, afinal, este já era seu amigo de longa data.

Foram para o metrô, sentaram nos últimos bancos disponíveis, o balanço dos vagões a fez apoiar a cabeça no ombro dele e logo dormiu. Ele, por outro lado, estava atento, certificava-se de não se mexer, enquanto aguardava sua estação chegar.

Ponto final.

Ele a acariciou para que acordasse, ela se remexeu e resmugou, então um beijou para despertar.

Abriu os olhos, sorriu, e retribuiu o beijo. Então levantaram, de braços dados, em passos lentos, não tinham pressa, muito menos motivos para ter, tiveram uma vida toda lado a lado, e continuaria assim por mais alguns bons anos.

Esqueci aquela foto com você

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Amor, tava procurando uma foto nossa para colocar no porta-retrato que ganhei da minha tia avó no último Natal, uma daquele dia que fomos até o bar, bebemos até cansar e voltamos andando para casa falando em inglês.

Procurei, mas não achei.

Amiga, venho caçando um retrato da gente para por no meu mural, da última vez que a gente se encontrou, no dia da sua estreia no teatro, mas como agora você viajou e não sei quando vou te ver queria ter essa lembrança de você.

Procurei, mas não achei.

Prima, lembra daquele dia na piscina? Na festa da faculdade? Estava querendo uma foto para guardar na caixinha de lembranças, ainda mais nesse dia que gargalhamos igual crianças.

Procurei, mas não achei.

Agora, aqui refletindo, percebo sorrindo que de nenhum desses dias tenho uma fotografia registrada. Estávamos todos nós tão preocupados nos divertindo que não havia tempo para parar e posar, mas fica viva a lembrança, na nossa memória guardada.

Parte, minha, metade

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Sou metade
inteira.
Sou completa
Pedaço
Sou um laço.

Quem é você?

Segredo
Calado
Cadeado
Trancado.

Passe
Rabiscos
Formas
Letras
Arte

Chave

Abriu
Abril
Outubro
Primaveril

Flores
Amores
Amoras
Cerejas
Cerejeira

Achei

Você

Inteira
Metade
Pedaço
Completo.

Recomeço

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A vida nos impulsiona a recomeçar.  E esse processo nunca é fácil e tranquilo, até porque, quando se há um recomeço, geralmente é porque houve um fim.

Sina do ser humano é sofrer com o fim, seja ele o que for, dói lá no fundo fazer as coisas de outro modo, dói sair da nossa zona de conforto.

Mas aqui vai meu conselho, se para todo fim existe dor, para todo início crie alegria, faça de cada novo capítulo um lindo colorido de possibilidades.

Reinvente e crie, inspire-se e avance, destemida para todo um caminho a traçar.

Afinal, o fim às vezes é só o começo.

Mais universos para meu mapa-mundi

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Devido a eventualidades das coisas, cai num abismo temporal.
Meu mundo tão vasto resumia-se a 4 paredes e um chão sem cor.

Tentei me expandir ainda assim, busquei cores, formas, busquei as palavras…
por algum tempo funcionou como distração, era uma linda cortina para a janela fechada.

Mas minha pertubação continuava, olhava para o mapa na parede e peguntava aos meus botões:
“Onde estão as tantas pessoas desses 4 cantos e 7 mares?”
O mar havia desbotando do seu azul profundo até chegar num cinza sem-graça.
Terras, cheias de verdes, viraram um amarelo deserto sem fim…

Então olhei para cima, vi um clarão furta-cor,
do teto ele me guiava até a porta, por muito tempo trancada sem que eu percebesse, escondida atrás das confusões e soterrada pelos problemas.

Cavei e fui atravessando, não era de longe fácil. O caminho era apertado e fechado por sentimentos ruins,
alcancei a maçaneta, o brilho ficou mais forte, forcei a chave a girar.

E de repente estava flutuando na não gravidade da vida,
olhei em torno, cores espaciais, caminhos para novas terras,
e mais portas abertas com gente a me cercar.

One of the boys

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Fim do dia, trânsito caótico, dois ônibus e muito cansaço.

Toco o interfone, uma pessoa aparece na janela enquanto uma voz conhecida surge na caixinha preta ao lado da porta.

Para variar, casa cheia, rostos novos…
Pausa para apresentações.

Tiro o sapato, largo a mochila, e vou na caça dos moradores da casa.

Primeiro, o violão, com seu dedilhado vai me guiando até quarto. Então, o rap de improviso com um beatbox acompanhando me levam até a cozinha.
Ali no cantinho, uma caneta rabisca o papel lindamente.

Pausa para nosso reencontro; sorrisos sinceros e abraços apertados.

Volta-se as manifestações artísticas, participo com minha dança mais ridícula.

Vamos então para o espaço mais íntimo da casa, nosso refúgio onde o amor permeia o ar, o teto e as paredes.

E de repente o mundo lá fora não faz mais sentido, e os problemas deixam de ser tão pesados.
Todo estresse é trocado por risadas.
O cheiro do incenso avisa ao corpo que é hora de relaxar.

E deitada no colchão pueril, ao som de músicas, conversas e piadas, fecho os olhos e sorrio: estou em casa.