Monstros da Madruga

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Um murmúrio no meio da noite, viro-me ainda tomado pelo sono das noites mal dormidas, porém a vejo sentada no colchonete que nos serve de cama.

O que há? – Indago, mais para mim do que para ela, tão absorta nos próprios pensamentos.

Vejo seus olhos, tão escuros como a noite que nos cerca, iluminados por uma fresta que a luz da lua conseguiu alcançar, e naquele brilho duvidoso desperto-me.

Abraço-lhe, protegendo suas costas sempre tão vulneráveis, beijo a base de seu pescoço e digo ao pé do ouvido que estou ali. Sua cabeça repousa em meu peito, ela se entrega a minha proteção.

De repente, vira-se, lança-se sobre mim, agarra-me pelos cabelos, braços e pêlos, numa tentativa de desafiar a física e ocupar dois corpos em um só espaço. Então, para.

Afasta-se o suficiente para olhar-me nos olhos e recita frases de nossa história favorita. Sorri, e me pulxa para deitar.

Fico por um momento em dúvida se estava sonhando, porém vejo aquele rosto tão perfeitamente detalhado e sei que nem a mais forte das imaginações poderia o retratar.

Permito-me voltar para os braços de morfeu enquanto a envolvo nos meus. Sei que seus monstros do armário foram embora, afinal, sinto suas mãos pelo meu cabelo deslizar.

Camila Fernandes

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