Não chore

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Passando na rua com a pele crua e os olhos afogados de tanto chorar. Fazia frio, chovia e eu não distinguia mais a rua da calçada. Começam os bêbados, como eu, a dizer: “Não chora, menina, vai passar”. E eu quase ri, em sorriso histérico, porque os bêbados estavam preocupados com meus sentimentos. Eles não paravam para me consolar, só palavras soltas ao vento.

Liguei para um número qualquer que bem conhecia. Disse muito, chorei mais. E depois de tanto drama, tanta chama acesa do meu pesar, abri a porta de casa. E a tristeza ficou do lado de fora. Costuma ser assim, para a dor chegar ao fim, é preciso um esforço consciente. De não se magoar.

Samyres Freitas

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